Tivemos a alegria de assistir ao programa “De Olho no Céu” pela TV Assembléia, emissora de Cuiabá, tendo Eduardo Baldaci como apresentador e roteirista, um verdadeiro amante da astronomia. Durante o citado programa uma pergunta surge inevitável: existe vida em outros planetas?
Há mais de 150 anos Allan Kardec formulou tal questão (nº 55, de “O Livro dos Espíritos”) aos Espíritos Superiores, obtendo como resposta a informação de que existe vida em todos os globos que se movem no espaço, pois que Deus povoou os mundos de seres vivos que concorrem para o objetivo final da Providência. Se assim não fosse, estaríamos a duvidar da sabedoria do Criador ao pensar que o Ele, que nada fez ou faz de inútil, somente tivesse criado vida na Terra, e que os demais astros apenas se equilibram no espaço para o deleite dos olhos humanos. E mais, disseram que a constituição física dos diferentes globos em nada se assemelham, “da mesma forma que os peixes são feitos para viver na água e os pássaros no ar”, porquanto “as condições de existência dos seres que habitam os diferentes mundos hão de ser adequadas ao meio em que lhes cumpre viver”.
O conhecido Espírito Emmanuel, pela psicografia de Chico Xavier (“Religião dos Espíritos”, 1959), abordou essa questão, enfatizando que a Via Láctea é comparável a uma cidade no universo, possuindo mais de 200 milhões de sóis, cada um transportando consigo planetas, asteróides, cometas, aluviões de poeira e uma infinidade de turbilhões energéticos. Comentou, também, que nosso Sol, dentre todos os outros, é um modestíssimo foco de luz, ao passo que Sírius, um dos seus vizinhos, tem brilho quarenta vezes maior, arrematando, portanto, que a Terra é uma “casa dos fundos” da galáxia, possuindo a Lua como satélite, do mesmo modo que o nosso pequenino Sol tem a Terra, e outros astros, como satélites seus.
Ora, os modernos telescópicos comprovam a existência de bilhões de outras galáxias. E não se tratam apenas daqueles instrumentos situados na Terra, porque, na atualidade, eles estão em hórbita espacial muito distante daqui, a tal ponto que a NASA tem um programa denominado “Procurador de Planetas Terrestres”, cujo escopo é encontrar globos nos quais haja água límpida, propiciadora de vida semelhente à nossa.
Mas toda essa análise diz respeito, tão-somente, à vida no mundo corpóreo, desconsiderando-se totalmente a vida espiritual ao nosso derredor, cuja complexidade é muito maior do que podem supor aqueles que ainda não se oportunizaram o conhecimento do “mundo maior”, posto que há vida em todos os planetas, há muitas moradas na casa do Pai, nós somos Espíritos que estamos em corpos temporários (que também são moradas), e a finalidade da vida é a evolução moral e intelectual das criaturas. Logo, se torna impossível imaginar os graus evolutivos e os diferentes estados da matéria, atinente à evolução de cada orbe, vez que nossas ferramentas físicas ainda são precárias, sobretudo para divisar os dois lados da vida.
Sabemos que já estamos no limiar da “grande transição” prometida pelas Escrituras e ratificadas pela doutrina dos Espíritos, em conformidade com significativa mensagem da lavra de Joanna de Ângelis, pelas mãos mediúnicas de Divaldo P. Franco, na qual a veneranda autora cita que as convulsões físicas e tectônicas pelas quais passa a Terra representam apenas o início da transformação da vida no planeta, porque os Espíritos reincidentes e que se comprazem com o mal estão tendo suas derradeiras oportunidades de aqui reencarnar, eis que outros mais evoluídos também estão chegando para impulsionar o avanço moral.
Desta forma, muito mais do que abalos e transformações geográficas, já estamos vivendo dias imprescindíveis para que o ser humano invista mais dedicação e coragem por domar suas inclinações más, reformando-se na intimidade, sempre para melhor. Por isso, é natural que venhamos a nos deparar com dores atrozes, violências, incompreensões, depressão e outros males. Mas o momento é de testemunho individual, razão pela qual a vigilância e a oração devem ser aliados diários, a fim de que estejamos em máximo equilíbrio pessoal e, via de conseqüência, familiar, institucional, profissional.
Que nossa contribuição, neste momento de transição, seja a do servidor fiel aos ensinos de Jesus, exercitando o amor em nossas relações, bem como as demais virtudes, filhas do amor: caridade, paz, humildade, perdão, etc. Fazendo isso, e nos esforçando para transmutar maus hábitos por outros saudáveis e edificantes, convidaremos nosso próximo a fazer o mesmo, porque, à luz da lição de Clara de Assis, “o bem fascina todos aqueles que o observam”, cientes de que em todas as moradas impera a Lei do Amor e cada um receberá de acordo com o que haja semeado.
Nestor Fernandes Fidelis
Coord. de Unificação - FEEMT